Impressões de leitura#22: O peso do pássaro morto, Aline Bei

“As mulheres
abusadas nas trincheiras e
nos viadutos
não estão nos livros de história.
os ditadores sim
todos em itens
numa longa biografia.”


O peso do pássaro morto é o livro de estreia de Aline Bei. Narrado em primeira pessoa pela personagem principal, este romance em verso conta a história de uma mulher em vários momentos de sua vida: dos oito aos 52 anos.
A vida da protagonista, única personagem que carece de nome, é marcada desde a infância pela morte… Acompanhamos perdas irreparáveis que causam desassossego tanto na personagem principal quanto no leitor. Apesar da melancolia está presente na história do início ao fim, o livro me agradou muito, sobretudo a forma como foi escrito. A escritora conseguiu de uma maneira espontânea adequar a linguagem às diversas idades da personagem. Foi possível perceber claramente as diferenças nas falas e sentimentos da protagonista: aos oito anos ficou em evidência sua inocência; aos 17, ficou claro seu repúdio e raiva após um acontecimento violento; mais à frente, aos 37 anos, ao encontrar aquele que viria a ser o seu mais fiel amigo, foi tocante o sentimento de comoção da protagonista…
Em nenhum momento a narrativa de Aline Bei soou ridícula ou afetada, além disso, adorei sua escrita poética que contém beleza e harmonia de uma forma completamente expressiva.
A diagramação também me agradou bastante porque remete à poesia, mas isso não dificulta a leitura, todo o contrário, faz com que a leitura aconteça com maior fluidez.
O peso do pássaro morto é um pequeno grande livro, que aborda tanto mortes e perdas como temas, quanto sentimentos de amor, carinho e cumplicidade.


Aline Bei

Eu gostei! Gostei mesmo. ❤️

Um livro e uma rosa pra você!

Caminho das Letras

Parabéns a São Jorge, o destemido cavaleiro que matou o dragão e salvou a princesa!

jordi Feliç Diada de Sant Jordi

Uma das coisas que eu mais me lembro e tenho saudade do tempo que morei em Barcelona é do dia de Sant Jordi (São Jorge). Quando cheguei por lá, em meados de 1996, não tinha muita ideia sobre esse feriado e as suas diferentes formas de comemoração. Embora eu já tivesse uma relação muito próxima com os livros, antes dessa época eu não sabia que havia um dia comemorativo oficial, por isso foi uma surpresa o modo tão lindo e original que os catalães celebram essa data. 
Na Catalunha, principalmente em Barcelona, homens presenteiam as mulheres com uma rosa e mulheres presenteiam os homens com um livro. A cidade fica bem mais alegre e movimentada, com pequenos quiosques que vendem livros e flores espalhados pelas ruas.

Não se sabe…

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Impressões de leitura#5:Miramar, Naguib Mahfuz


“É bom que encontremos alguém com quem compartilhar a solidão”

 

miramar2Eu não sabia quase nada sobre o Egito. Devo ter estudado no colegial alguma coisa sobre as pirâmides, sobre o rio Nilo, sobre Cleópatra e Nefertiti, mas meu conhecimento acerca da História mais recente desse país era praticamente nulo. Estava até um pouco preocupada achando que me faltariam as informações necessárias para entender bem o enredo de Miramar. Mas eis que me deparo com um excelente prefácio da tradutora, Isabel Hervás Jávega – que fez a tradução direta do árabe para o espanhol.

De forma pertinente, Isabel faz um apanhado da História Sócio-Político do Egito, desde a chegada de Napoleão Bonaparte, em 1798, até o governo de Gamal Abdel Nasser. Ela fala sobre a história do país durante o domínio inglês, mostra-nos como a poderosa Inglaterra interferia e controlava assuntos internos, tanto políticos como econômicos e financeiros. É justamente nessa época que são fundados os primeiros partidos políticos do Egito: O Partido Nacionalista e o Partido do Povo. Esses partidos tinham como principal objetivo criar um sistema constitucional assim como expulsar os ingleses do território nacional. Com a iminência da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra declara o Egito território britânico assegurando assim o controle do país e das matérias primas egípcias.

Mais tarde aparece uma nova força política que se transformaria no partido Wafd (Partido Político Nacionalista Liberal). O Wafd tentou expor suas demandas de independência, mas Saad Zaghloul, seu líder, foi punido com o exílio. Anos depois, em 1936,  Saad regressou ao país e conseguiu que fosse declarada a independência do Egito. No entanto, foi só em 1954, após a chegada de Gamal Abdel Nasser ao poder, que as reclamações históricas das massas menos favorecidas começaram a ser levadas em consideração. Nasser implantou um Estado de Corte Socialista e nacionalizou os recursos do país. Ainda assim, Nasser não deixou de ser considerado um personagem obscuro e seu governo, para os próprios egípcios, foi marcado como uma época de repreensão política, censura ideológica e corrupção industrial.
Toda essa história política e social, sobretudo durante o governo de Nasser, é pano de fundo do livro Miramar. Isabel Hervás Jávega colabora com um excelente trabalho, fornecendo informações relevantes que ajudam o leitor a compreender muito bem o contexto histórico em que a obra de Naguib Mahfuz está inserida.

A história se desenrola em Alexandria, na pensão Miramar, onde habitam os sete personagens principais. A ação ocorre nos anos 60 (em um curto período de tempo) e nos mostra, além da interação dos moradores da pensão, a situação em que o país vivia naquela época.
O livro é composto de quatro capítulos, cada um deles tem como título o nome de um personagem. Há, porém, outros três personagens que embora sendo importantes na história não possuem capítulos próprios.

Cada capítulo é narrado em primeira pessoa pelo personagem que o intitula. O narrador-personagem faz pequenas digressões e vai acrescentando pouco a pouco fatos do seu passado, fazendo uma espécie de diálogo entre passado e presente. Como grande parte da história se passa dentro da Pensão Miramar, acredito que essas digressões são estratégias do autor para quebrar a monotonia da narrativa e tornar a leitura mais instigante. Além disso, essas voltas ao passado permitem que o leitor conheça de fato a história de vida dos moradores da pensão e possa, assim, mergulhar mais profundamente nas dores de cada um deles.

Um dos hóspedes da Pensão Miramar aparece morto (isso não é um spoiler, pois já ficamos sabendo nas primeiras páginas do livro). Esse acontecimento muda os ânimos de todos que vivem na pensão e é o ponto de partida da história. À medida que avançamos tomamos conhecimento que o importante não é o crime em si, mas o que realmente aconteceu com os personagens nos dias que antecederam esse crime.
Os detalhes nos são contados pelos quatro personagens principais que possuem capítulos próprios, a partir da perspectiva de cada um deles. O mais interessante é que apesar do tema ser o mesmo – a morte do tal hóspede – os fatos são alterados de acordo com o ponto de vista de cada narrador. Chega um momento que o leitor pensa que já sabe tudo o que aconteceu, como aconteceu e o porquê de ter acontecido, então começa um novo capítulo, o narrador muda, a perspectiva muda e começamos a ver a história a partir de um ângulo completamente novo outra vez.

Mesmo a história girando em torno de um crime, esse não é o tema principal de Miramar, percebemos isso quando entramos em contato com os personagens, conhecemos seus defeitos, suas qualidades, seus medos, seus sonhos… Nos damos conta que cada um deles, à sua maneira, está perdido. Embora física e moralmente diferentes, todos os personagens têm um ponto em comum: estão sós no mundo. Vivem em uma pensão, encontram-se todos os dias, compartilham refeições, mantêm acaloradas conversações, mas são solitários. Acredito que o tema principal de Miramar é justamente esse: a solidão. Os personagens estão acompanhados, mas sentem-se sós. E isso é triste, muito triste!

Sobre o autor:

naguib

Naguib Mahfuz foi um escritor egípcio, nascido no Cairo, em 1911. É considerado um dos primeiros escritores contemporâneos da literatura árabe. Seus romances mais conhecidos são Miramar (1967) e os que compõem A Trilogia do Cairo (1957). Suas obras foram traduzidas para várias línguas. Em 1988 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em 2006.

Florbela Espanca, a poetisa do coração!

“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa, sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!”

Florbela_Espanca1Passou já bastante tempo desde que li pela primeira vez um poema de Florbela Espanca. Acho que foi em 2002, quando folheando uma revista literária, encontrei um texto seu. Fiquei tão fascinada com suas palavras que na primeira oportunidade que tive comprei um livro. Desde então, nunca mais consegui me separar desse livro… tenho-o sempre à mão, leio-o, releio-o, rabisco-o.
Os poemas de Florbela são sentimentais e tocantes, quando os leio é impossível não me sentir assim: completamente arrebatada.
Sua poesia trata de amor e paixão de uma forma muito linda e sensual, aliás, o erotismo é uma característica muito forte na obra da escritora. Florbela consegue ser sensual sem perder a feminilidade e a elegância, pois a sensualidade presente em seus poemas é sutil, contida, delicada, não fere a sensibilidade do leitor.
Ela soube viver apaixonadamente e com grande intensidade a sua vida amorosa, percebemos isso claramente quando entramos em contato com sua obra.

 

“(…) se tu viesses quando,
linda e louca,
Traça as linhas
dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e
canta e ri

E é como um cravo ao sol a
minha boca…
Quando os olhos se me
cerram de desejo…
E os meus braços se
estendem para ti…”

 

A tristeza e a morte são também outros temas recorrentes em sua poesia. Alguns poemas possuem um tom lúgubre e se encarregam de revelar a outra faceta da escritora, a de uma mulher atormentada e inconformada. Nesses poemas ela deixa transparecer um certo desespero, uma tristeza profunda, tristeza essa que parece ter acompanhado a escritora durante toda a vida.

 

“(…) Poentes de agonia trago-os eu
Dentro de mim e tudo quanto é meu
É um triste poente de amargura!

E a vastidão do mar, toda essa água
Trago-as dentro de mim num mar de mágoa!
E a noite sou eu própria! A noite escura!

 

Apesar desse tom melancólico tão comum em sua escrita, é impossível desgostar da poesia de Florbela, é impossível não se sentir tocado por ela ao entrar em contato com suas palavras.
Florbela é a poetisa do amor, da quimera e da saudade, é uma das figuras femininas mais representativas da poesia portuguesa do século XX.

E para revelar ainda mais esta poetisa, de tal forma que ela não se confunda com outra, nada melhor que um soneto seu, um dos mais belos:

 

Eu quero amar, amar perdidamente
Amar só por amar: aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante toda a vida é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar!…

 

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Meu primeiro livro. É uma seleção de poemas esparsos

 

Seus poemas são tão admirados que já foram musicados algumas vezes. Deixo aqui dois vídeos: um de Fagner e Zeca Baleiro, cantores brasileiros. Outro de Mariza, fadista portuguesa.

 

 

Há alguns anos foi lançado o filme Perdidamente Florbela de Vicente Alves, sobre  a vida da poetisa. Deixo aqui o trailer pra quem tiver interesse em conhecer um bocadinho mais a escritora:

Florbela Espanca faleceu no dia 8 de dezembro de 1930, dia em que completaria 36 anos.

Declarando meu amor por Buenos Aires

“A mí se me hace cuento que empezó Buenos Aires: La juzgo tan eterna como el agua y el aire.” (Jorge Luis Borges)

Gosto muito de ler blogues de viagem. Gosto mesmo! Embora o objetivo do meu nunca tenha sido fornecer dicas para este ou aquele viajante, de vez em quando eu também acabo meio que entrando nessa onda e menciono alguns lugares que visitei por aí. Dando uma relida nos meus textos antigos, chamou muito a minha atenção o fato de nunca ter falado nada acerca de Buenos Aires, cidade na qual vivi de julho de 2007 a julho de 2011. Só agora, mais de quatro anos após minha partida, posso falar com o coração mais sossegado sobre o tempo tão especial que vivi por lá.

Eu não sei vocês, mas eu tenho uma grande dificuldade em escrever sobre coisas que me marcaram, coisas pelas quais guardo qualquer tipo de sentimento; acho difícil porque quase nunca encontro as palavras certas, não consigo disfarçar a emoção – o que para muitos pode soar como afetação.

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Mi Buenos Aires Querido!

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La Boca

A minha relação com Buenos Aires foi muito estranha, uma relação de amor e ódio. Quando eu soube que me mudaria pra lá e que ficaria por quatro anos a primeira reação foi de irritação. Eu não queria, não tinha a mínima vontade. Sentia uma antipatia pela cidade a ponto de não fazer questão sequer em conhecê-la. Não me perguntem a razão porque não faço a mínima ideia. Às vezes penso que isso podia estar relacionado com a rixa existente no futebol entre Brasil e Argentina. Aí penso melhor e me dou conta que eu nunca fui uma pessoa tão ligada assim a futebol, desse modo, essa não seria uma razão plausível. Outras vezes penso que eu era como aquelas crianças birrentas que nunca provaram certo tipo de comida mas dizem taxativamente que não gostam e pronto… Ah, sei lá, deve ter sido algo do tipo.
Meu desejo era morar em um lugar bem diferente, algum país na África, talvez Austrália ou quem sabe até Inglaterra. Mas me ofereceram Buenos Aires, era pegar ou largar. Peguei.

Não foi difícil a adaptação apesar de achar os argentinos meio fechados (não levem isso tão a sério, talvez a fechada seja mesmo eu… rsr), mas no fim das contas fiz amizades que duram até hoje.
A língua eu já conhecia, então, um problema a menos. O inverno, um tanto rigoroso se comparado ao inverno brasileiro, nem chega perto do inverno alemão (que eu também já conhecia) então, outro problema a menos.

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El Obelisco

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Cemitério de La Recoleta

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Puente de la Mujer

Houve momentos ruins? Claro que sim! Mas o que quero evidenciar aqui são os momentos bons, que foram muito melhores.

Na Argentina comi o verdadeiro alfajor, o típico asado e as deliciosas medialunas. Bebi o tal mate, que para meu paladar é amargo pra caramba, mas dizem que ajuda a emagrecer, gente! Encantei-me com a literatura de Borges e Cortázar. Sonhei acordada com a poesia de Alfonsina Storni e Alejandra Pizarnik. Fui várias vezes a shows de música no Gran Rex e Luna Park. Escutei Gardel vezes sem conta, tanto que aprendi de memória o tango “Por una cabeza”.
Fui ao Show do Spinneta (ainda bem, pois um ano depois ele se foi) e Fito Páez. Encantei-me com os olhos verdes de Ricardo Darín e sua atuação perfeita.
Vivia metida nas livrarias Yenny, Boutique del Libro e El Ateneo, principalmente naquela lindíssima que fica na Av. Santa Fé. Fui assistir a uma apresentação de balé no Teatro Colón, o teatro mais lindo que meus olhos já viram. Tomei meu chazinho no Café Tortoni e tirei fotos com as estátuas dos literatos que lá habitam. Apesar de clichê, eu adorava passear em La Boca – um bairro pitoresco, alegre e colorido – e de quebra ainda fiz aquelas fotos ridículas com os dançarinos de tango que se apresentam na rua (Sim, me julguem…rsr).

Vezes sem conta fiquei sentada no gramado em frente ao Rio de la Plata apenas para admirar a natureza e sentir a brisa no rosto. Encantei-me com as luzes da Avenida 9 de Julio e sempre me fascinava com o imponente Obelisco, monumento que tem a cara da capital porteña. Mesmo tendo medo dos mortos, fui mais de cinco vezes ao Cementerio de la Recoleta, e quando saía de lá sentava-me em algum café para admirar o vai e vem das pessoas do bairro – um lugar tão lindinho e que respira arte.

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Floralis Generica

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Puerto Madero

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Casa Rosada

Perdi-me tantas vezes nas calles antigas de San Telmo, fiquei por horas procurando algum objeto interessante para comprar na feirinha de pulgas. Fui vezes sem conta a Plaza de Mayo e todas as vezes tirei fotos na Casa Rosada, como qualquer turista que se preza, né?!

E Puerto Madero, então? Ah, lugar bonito e moderno, cheio de vida e decorado pela Puente de la Mujer, que com sua arquitetura simples, porém charmosa, encanta quem a visita. Sobre a Calle Florida, falar o quê? Que tem a cara de qualquer turista brasileiro que acha que Buenos Aires é lugar para fazer compras baratas… Ledo engano, minha gente, pois eu estive por lá e nunca comprei nada, só queria mesmo caminhar e tomar um capuccino delicioso nas Galerías Pacífico.

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Jardim Japonês

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Museu de Arte Latino Americano

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El Ateneo, livraria linda

Na hora de bater perna fui inúmeras vezes ao Parque de Palermo, entrei no Zoológico, no Jardín Botánico e no Planetário. Fui ao Jardín Japonés, ao Rosedal e à Floralis Genérica, aquela famosa flor de metal que abre de manhã e fecha à noite. Fiz várias vezes o passeio no Tren de la Costa e também o passeio de barco pelo Rio Tigre… Marquei ponto no Malba (Museu de Arte Latinoamericano) -, que naquela época tinha uma programação literária incrível. Até hoje o museu ainda oferece excelentes atividades literárias, confira o calendário dessas atividades aqui.

Algum arrependimento? Sim, de durante esses quatro anos não ter aproveitado para aprender a bailar un tango caliente.


Às vezes ainda encontro pessoas que me perguntam: então, o que você achou de Buenos Aires? Conseguiu finalmente se acostumar? Voltaria a morar lá de novo?

Acho que nem preciso responder, né?

Weimar, uma cidade que respira cultura!

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Centro de Weimar

 

Eu adoro fazer passeios culturais, sobretudo aqueles que estão relacionados com livros, escritores, bibliotecas e todo esse universo da literatura. Por isso, não sosseguei até arranjar um tempinho para conhecer Weimar, uma linda cidadezinha na Alemanha. O que me motivou a visitá-la não foi apenas a beleza de sua arquitetura Bauhaus, seus parques, seu famoso Rio Ilm, suas casinhas com flores nas janelas tão tipicamente alemãs, mas o fato de ter relação com o Romantismo, uma escola literária da qual gosto muito. Outra razão que me levou a essa cidade foi saber que lá viveram dois dos mais importantes nomes da literatura alemã: Goethe e Schiller.

Não, minha gente, eu nunca li absolutamente nada de Schiller, tentei certa vez ler a Noiva de Messina (traduzido para o português, obviamente), mas achei a leitura tão difícil que abandonei pouquíssimo tempo depois de começar. De Goethe li Os Sofrimentos do Jovem Werther, algumas poesias e só. Até tenho na minha estante o Fausto, mas ando postergando a leitura por ainda não me sentir capaz de ler algo assim tão complexo… Quem sabe um dia.

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Estátuas de Schiller e Goethe  no centro da cidade


A cidadezinha simplesmente me encantou, não só por sua beleza mas pela atmosfera agradável do lugar e pela memória viva e pulsante das personalidades que ali viveram. Além dos dois escritores já citados, em Weimar viveram também Lutero, Sebastian Bach, Marlene Dietrich, Wagner, Strauss, Nietzsche, Rudolf Steiner, Shopenhauer, entre outros. A cidade é um amontoado de recordações para onde quer que nos viremos, é como se todas essas personalidades – de uma forma ou de outra – tivessem deixado suas marcas, dando assim um toque especial ao lugar.

Pra começar bem o passeio fui conhecer a Casa de Campo de Goethe, uma casinha simpática que mais parece ter saído de uma história do próprio escritor. A casinha – que está localizada dentro do belíssimo Parque de Goethe – foi onde ele escreveu seu romance mais conhecido, Os Sofrimentos do Jovem Werther, obra que deu origem ao Romantismo (pessoal, estive há pouquíssimo tempo na Casa de Goethe, em Frankfurt, e lá consta que foi nessa casa que ele escreveu Os Sofrimentos do Jovem Werther. Desculpem as informações desencontradas). Só o percurso do meu hotel até lá já foi suficiente para amar o lugar, pois a área é muito linda e bem cuidada. Por dentro, a casinha permanece praticamente igual que era na época em que o poeta vivia (pelo menos assim dizem os entendidos no assunto) seu quarto, sua salinha, sua biblioteca e uma mesa de pernas bem altas onde o poeta escrevia o tempo todo de pé, acreditem! Do lado de fora a paisagem também encanta, muitas árvores, muitas flores, muito verde… tudo tranquilo, uma atmosfera assim meio bucólica.

 

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Casa de Campo de Goethe

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Em um lugar assim nem tinha como não ter inspiração…


Outra coisa que parece ser muito interessante de se ver em Weimar é a Biblioteca Anna Amália. Eu não dei muita sorte porque na época em que fui estava em processo de restauração, após ter sofrido um incêndio no qual perdeu aproximadamente 50.0000 títulos, dois quintos de seu espólio. Mas quem for por lá agora não pode perder a oportunidade de visitá-la, deve ser uma maravilha adentrar um local onde estão guardadas obras importantíssimas da literatura. É justamente na Biblioteca Anna Amália que se encontra a primeira Bíblia traduzida por Lutero, que graça a Deus escapou do fogo.

No centro da cidade estão localizadas as duas maiores atrações: as casas principais onde viveram os poetas Goethe e Schiller. A casa de Schiller é bonita, mas não muito grande, tem uma fachada amarela bem chamativa e por dentro está decorada com réplicas no lugar dos móveis originais. Já a casa de Goethe impressiona não só pelo tamanho mas pela beleza e bom gosto. A casa era residência oficial do escritor que também exerceu os cargos de Ministro e diretor da Biblioteca Anna Amália. É mantida ainda com algumas peças originais, inclusive o quarto onde o poeta morreu, aos 82 anos, está completamente intacto. Hoje, ambas as casas funcionam como museus e estão abertas ao público diariamente.

 

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Casa de Schiller

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Casa de Goethe


Eu fui no verão, uma época com temperaturas agradáveis, as ruas estavam lotadas de turistas assim como de artistas, até peça teatral estava sendo encenada ao ar livre… Um charme!
O turista chega lá e não tem mais vontade de sair, acaba se entusiasmando e querendo ficar mais tempo que o previsto, que foi o meu caso.
Foi um passeio muito divertido, eu recomendo pra quem gosta de literatura, pra quem gosta de arquitetura, pra quem gosta de História, pra quem gosta de Arte de um modo geral e pra quem gosta apenas de bater perna por aí.

Weimar é uma belezura de cidade, é tão tipicamente cultural que foi escolhida como Capital Europeia da Cultura em 1999.

*** Pessoal, quando eu digo que Weimar tem relação com o Romantismo estou me referindo ao fato de Goethe, um dos integrantes do movimento romântico na Alemanha, ter vivido por muitos anos nessa cidade, razão pela qual eu fui visitá-la. Na verdade, Weimar foi o berço do Classicismo Alemão.

 

Um vilarejo parado no tempo…

É a segunda vez que visito Tai O, um vilarejo de pescadores localizado na ilha de Lantau, em Hong Kong. A primeira vez que estive por lá foi poucos meses após chegar por estas bandas. Nessa época eu ainda andava fascinada com tudo que via por aqui, só queria mesmo saber de admirar as paisagens, sem o compromisso de fotografar nada. Agora, como pensei em deixar registrado aqui no blogue minha impressão sobre esse vilarejo, decidi voltar para um segundo passeio e também para fazer algumas fotos.

Tai O é chamado a “Veneza de Hong Kong”. Não posso opinar muito sobre isso já que não conheço Veneza, mas pelas fotos que vi da cidade italiana não tem absolutamente nada a ver, nada mesmo! Mas, enfim, se os chineses querem que seja a “Veneza de Hong Kong”, que seja, então!
O vilarejo é completamente diferente da Hong Kong frenética que muita gente conhece, o lugar é mais simples, bastante bagunçado e não muito limpo, mesmo assim dá pra passear numa boa e passar um tempo agradável.

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Um morador de Tai O

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Palafitas em Tai O

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No passado, Tai O vivia completamente da pesca. Atualmente, esse estilo de vida mudou um pouquinho, apesar de muitos moradores ainda continuarem a viver disso. Mesmo bem afastado do centro, o vilarejo atrai muitos turistas estrangeiros, pessoas que têm curiosidade de conhecer o outro lado da vida em Hong Kong. Andando nas ruas encontramos muita gente se locomovendo em bicicletas, pessoas vendendo todo tipo de peixes – secos ou frescos -, há peixes pendurados para secar na rua mesmo, pessoas chamando a turistada para entrar em seus restaurantes, crianças brincando livremente, portas e janelas escancaradas, pequenos altares e seus incensos e muita movimentação.

Outra coisa bem legal que se pode fazer em Tai O é um passeio de barco para ver os golfinhos. Eu fiz o passeio mas não vi golfinho nenhum, tempos depois li alguns comentários de outros turistas que também fizeram o passeio e disseram não ter visto nada. Não sei realmente se os tais golfinhos ainda habitam por lá ou se isso é apenas uma estratégia pra arrancar alguns tostões dos gringos. De qualquer maneira, o passeio de lancha é bem divertido e bonito. É também um excelente lugar para ver o pôr do sol.

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O vilarejo parece que parou no tempo, mesmo com o passar dos anos não evoluiu tanto assim. Algumas pessoas continuam vivendo em palafitas e ganhando a vida com a pesca. E ao contrário de Sam Ka Tsuen (que falei aqui), onde não vemos uma quantidade muito grande de turista, Tai O tem sempre excursões e muitos estrangeiros passeando. Fazer um passeio básico por lá vale muito a pena, pois o estilo de vida se aproxima bastante daquilo que nós imaginamos ser a verdadeira China.