Impressões de leitura#22: O peso do pássaro morto, Aline Bei

“As mulheres
abusadas nas trincheiras e
nos viadutos
não estão nos livros de história.
os ditadores sim
todos em itens
numa longa biografia.”


O peso do pássaro morto é o livro de estreia de Aline Bei. Narrado em primeira pessoa pela personagem principal, este romance em verso conta a história de uma mulher em vários momentos de sua vida: dos oito aos 52 anos.
A vida da protagonista, única personagem que carece de nome, é marcada desde a infância pela morte… Acompanhamos perdas irreparáveis que causam desassossego tanto na personagem principal quanto no leitor. Apesar da melancolia está presente na história do início ao fim, o livro me agradou muito, sobretudo a forma como foi escrito. A escritora conseguiu de uma maneira espontânea adequar a linguagem às diversas idades da personagem. Foi possível perceber claramente as diferenças nas falas e sentimentos da protagonista: aos oito anos ficou em evidência sua inocência; aos 17, ficou claro seu repúdio e raiva após um acontecimento violento; mais à frente, aos 37 anos, ao encontrar aquele que viria a ser o seu mais fiel amigo, ficou ainda mais claro o sentimento de comoção da protagonista…
Em nenhum momento a narrativa de Aline Bei soou ridícula ou afetada, além disso, adorei sua escrita poética que contém beleza e harmonia de uma forma completamente expressiva.
A diagramação também me agradou bastante porque remete à poesia, mas isso não dificulta a leitura, todo o contrário, faz com que a leitura aconteça com maior fluidez.
O peso do pássaro morto é um pequeno grande livro, que aborda tanto mortes e perdas como temas, quanto sentimentos de amor, carinho e cumplicidade.


Aline Bei

Eu gostei! Gostei mesmo. ❤️

Grupo de Leitura/Berlim: Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa



“O senhor… Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão”.

https://ascoisasdavidablog.wordpress.com/2016/11/17/impressoes-de-leitura4-grande-sertao-veredas/

Terra Americana, Jeanine Cummins

“Às vezes a experiência de leitura pode ser corrompida por um número excessivo de opiniões.”

 

terra americanaEm Terra Americana a escritora Jeanine Cummins relata a forma pouco convencional e bastante irresponsável como os migrantes mexicanos, hondurenhos e guatemaltecos viajam do Sul do México até à fronteira Norte dos Estados Unidos. Contrariando a norma e o bom senso, homens, mulheres e até mesmo crianças ficam por mais de três mil quilômetros em cima de trens de carga, conhecidos como La Bestia, sem nenhum tipo de segurança ou proteção. Esses viajantes enfrentam além das intempéries, quedas seguidas de amputações, subornos, sequestros, estupros, às vezes perdem até mesmo a vida na tentativa de alcançar o sonho americano.
Cummins, que é norte-americana, não teve seu livro bem recebido pela comunidade latina nos EUA… A escritora, por não ser latina, não foi considerada idônea o suficiente para discorrer acerca desse tema e foi acusada de se apropriar de um lugar de fala que não lhe pertence visando apenas o lucro. Além disso, os latinos consideram que suas personagens são estereotipadas e possuem um teor um tanto quanto racista.
Terra Americana conta a história fictícia de Lydia Quijano Pérez, proprietária de uma livraria em Acapulco, México, que foge para os Estados Unidos com seu filho Luca, de apenas oito anos, no perigoso trem La Bestia, após o assassinato de toda a sua família por um cartel do narcotráfico.
Desde o primeiro capitulo acompanhamos Lydia e Luca ultrapassando diversos obstáculos para escapar do chefe do cartel e alcançar seu destino final: Os Estados Unidos da América… A cada capítulo a tensão aumenta e ambas as personagem ficam cada vez mais exauridas mas, ao mesmo tempo, mais esperançosas também.
O pano de fundo é sem dúvida a problemática dos migrantes mexicanos e o domínio do México pela máfia dos narcotraficantes. Embora se trate de uma história recheada de eventos violentos e doloridos, o livro, pra mim, passou uma mensagem positiva. Vi em Lydia uma mãe amorosa e destemida que, mesmo desesperada, assume perigos inimagináveis com o único objetivo de resguardar a vida do filho. Li uma história de sofrimento, de perdas, de vingança, de ganhos financeiros valorizados em detrimento da vida humana, mas li também uma história de amor, de gratidão, de superação e, sobretudo, de esperança. Esperança de uma vida melhor, de uma vida sem medo, sem violência… Uma vida onde o amor é o ingrediente mais importante: o amor incondicional, o amor sem fronteiras.
Não sei dizer se a história é verossímil ou não… Também não sei se o México é de fato totalmente dominado for facções do narcotráfico e nem se as personagens de Cummins são estereotipadas e caricatas, só sei que a história é super instigante e me agradou que só!
Recomendadíssimo. ❣️

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Jeanine Cummins

Xangai é especial!

 

 

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Sempre que bate aquela vontade incontrolável de ficar enfiada dentro de casa, lembro que cada dia que passa é um dia a menos que me resta para aproveitar as coisas bonitas da cidade onde moro. Mesmo quando o tempo fica com a poluição lá nas alturas e insuportavelmente quente, uma quentura capaz de tirar o raciocínio de qualquer ser vivente, me obrigo a sair de casa e dar umas voltinhas pelas redondezas. Às vezes acho que vou só perder meu tempo, que não verei nada de interessante, mas aí me dou conta que daqui a dois meses não estarei mais caminhando pelas ruas desta cidade, no meio desta multidão de chineses, escutando esta língua tão enigmática… Então, pego minha máquina fotográfica e vou passear. Enquanto caminho pelas ruas de Xangai percebo que o que vejo aqui não verei nunca mais, em nenhuma cidade do mundo. Por isso, não me permito ficar enfiada dentro de casa esperando o tempo passar, saio por aí em busca das peculiaridades do lugar. No início, apenas passeava tranquilamente. Agora, comecei a fotografar também. Fotografar do meu jeito, meio torto, meio cortando uma perna aqui e um abraço acolá… Mas dizem que a intenção é que vale, não é mesmo?!
Pra mim, o mais interessante de morar por um longo tempo em uma cidade tão grande e diferente é que por mais que eu conheça esse lugar sempre terá algo novo esperando para ser visto. E, por incrível que pareça, cada vez que saio às ruas vejo algo especial… É especial deixar-se surpreender por situações do cotidiano e permitir que nosso olhar busque e encontre a beleza daquelas coisas que, muitas vezes, vemos todos os dias mas não prestamos suficiente atenção. Algumas vezes sento em um parque qualquer e fico a observar os passantes… Sim, é bom reparar nos rostos das pessoas, como li em uma crônica de Rubem Alves há poucos dias: “rostos revelam o mundo.” É verdade, por isso gosto tanto de observar pessoas, reparar na forma como caminham, se apressadas ou com calma. Gosto  também de imaginar como se sentem, se estão alegres ou tristes…

Os chineses são inquietos por natureza, falam alto demais, querem o tempo todo passar na frente, como se estivessem sempre atrasados, como se o mundo fosse acabar amanhã. Isso me irritava de uma certa maneira no início, lá em meados de 2011 quando cheguei por estas bandas, mas por fim compreendi que esse jeito meio brusco e ruidoso faz parte da essência deles e, claro, ajuda a compor a atmosfera desta cidade que tanto gosto, dando a ela charme e graça. Xangai não seria a mesma sem essa maneira tão peculiar de sua gente.

Além de observar pessoas, gosto também de observar lugares, imaginar como foi determinado lugar anos atrás, antes de eu chegar por aqui, e como esse mesmo lugar será anos mais tarde, depois que eu já tiver partido. Deixo a minha imaginação voar solta e simplesmente desfruto.
Sinto-me feliz e privilegiada por ter morado aqui tantos anos, por ter conhecido tantas pessoas legais e pelas coisas que vi. Acho que por saber que meu tempo em Xangai já está praticamente no fim, que daqui a dois meses estarei indo embora, procuro aproveitar ao máximo e guardar na lembrança aquilo que vivenciei, porque no fim das contas, quando tudo passar, serão apenas as memórias das coisinhas especiais que vi e vivi, que ficarão.
Foram oito maravilhosos anos. Obrigada, China, por tudo!
Amo-te, Xangai ❤

 

Um livro e uma rosa pra você!

Caminho das Letras

Parabéns a São Jorge, o destemido cavaleiro que matou o dragão e salvou a princesa!

jordi Feliç Diada de Sant Jordi

Uma das coisas que eu mais me lembro e tenho saudade do tempo que morei em Barcelona é do dia de Sant Jordi (São Jorge). Quando cheguei por lá, em meados de 1996, não tinha muita ideia sobre esse feriado e as suas diferentes formas de comemoração. Embora eu já tivesse uma relação muito próxima com os livros, antes dessa época eu não sabia que havia um dia comemorativo oficial, por isso foi uma surpresa o modo tão lindo e original que os catalães celebram essa data. 
Na Catalunha, principalmente em Barcelona, homens presenteiam as mulheres com uma rosa e mulheres presenteiam os homens com um livro. A cidade fica bem mais alegre e movimentada, com pequenos quiosques que vendem livros e flores espalhados pelas ruas.

Não se sabe…

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Impressões de Leitura#21: Os sofrimentos do jovem Werther… (contém spoilers)

“O que pude encontrar da história do pobre Werther reuni com disciplina, e aqui vos apresento, e sei que me agradecereis. Não podeis negar vossa admiração e amor ao seu espírito e seu caráter, e vossas lágrimas ao seu destino. E tu, boa alma, que sentes o mesmo ímpeto que ele, toma como consolo seu sofrimento, e deixa o livrinho ser teu amigo, se não puderes, por destino ou própria culpa, encontrar alguém mais próximo.” — O editor

4F035099-0F65-48C7-9936-953A4691A17EOs sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang Goethe, é um romance epistolar com traços autobiográficos. Escrito em apenas quatro semanas quando Goethe tinha 25 anos, o livro conta a história de um jovem e sua paixão não correspondida por uma mulher comprometida. Foi publicado em 1774, causando furor e rebuliço na sociedade alemã daquela época. O livro de Goethe foi um divisor de águas na literatura alemã, foi justamente esse romance que deu origem à prosa moderna e iniciou o romantismo na Alemanha.
Para melhor compreendermos a importância de Os sofrimentos do jovem Werther na literatura, é necessário conhecermos um pouquinho o contexto histórico no qual a obra está inserida.
O movimento romântico foi um período de vida e arte que compreendeu o final do século XVIII e a primeira metade do século XIX. Está associado às mudanças sociais e políticas que derivam da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e a Revolução Francesa de 1789. Com seu tríplice Ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a revolução quebra o império do absolutismo e difunde na Europa um clima favorável à ascensão da burguesia
. O Romantismo coincidiu justamente com essa ascensão econômica/política e expressa os sentimentos das pessoas que viviam insatisfeitas com as novas estruturas e relações sociais. De um lado estava a nobreza que já não desfrutava dos mesmos privilégios de outrora e, por outro, a pequena burguesia que ascendia e ia conquistando seu espaço pouco a pouco.

Na Literatura, o Movimento Romântico foi marcado por três fatos fundamentais. Primeiro, o aparecimento de um novo público leitor, resultado de uma literatura feita de forma simples, com uma linguagem mais popular, totalmente oposta ao neoclassicismo -, que prezava por uma linguagem clássica. Segundo, o surgimento do romance moderno, os conhecidos folhetins, como forma mais difundida e acessível de comunicação literária. E, por último, a liberdade de expressão. Os escritores românticos tinham aversão pelos modelos clássicos e queriam sentir-se livres para escrever da forma que melhor lhes conviessem, deixando para trás as exigências do neoclassicismo e adotando uma narrativa na qual predominasse mais o sentimento, a emoção, a evasão e o sonho. Os românticos preferiam fugir da realidade para um mundo imaginário criado a partir de sonhos e lançavam mão de um sentimentalismo exacerbado, que passou a predominar sobre a razão. Essa liberdade criadora, para os românticos, é um ato de liberdade e desprendimento.
Outro fator que foi muito importante e colaborou para o surgimento dessa nova literatura foi o movimento pré-romântico, conhecido como Sturm und Drang (tempestade e Ímpeto). Esse movimento, surgido na Alemanha, tinha acentuado caráter nacionalista e foi o responsável por desencadear o Romantismo.
Os Sofrimentos do jovem Werther é uma cria do Sturm und Drang, apesar de ter sido escrito e publicado em 1774 é considerado o precursor do Romantismo, embora essa escola literária só tenha iniciado oficialmente alguns anos mais tarde.

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Werther, nosso protagonista, inicia seu relato contando por meio de cartas a Guilherme, um amigo, seu cotidiano em Wahlheim, um pequeno vilarejo na Alemanha, para onde se muda. Durante as primeiras missivas notamos um Werther calmo e alegre. O rapaz sente-se bem em conviver com as pessoas simples do lugar e desfruta de tudo que o rodea. Seu discurso é um turbilhão de sentimentos, um misto de poesia e culto à natureza: cada árvore, cada moita é um ramo de flores, e a gente faria gosto em se transformar num besouro para esvoaçar nesse mar de perfumes e poder sugar todos os seus alimentos.”

Mas eis que Werther conhece Carlota, uma jovem culta e de refinada beleza, que para infelicidade do jovem está comprometida com Alberto, um homem bom e correto, segundo palavras do próprio Werther: “Alberto é um homem honesto e bom, que merece toda a simpatia. É um homem sensível e parece pouco sujeito a maus humores. Não há dúvida de que Alberto é o melhor homem da face da terra.”
Werther desenvolve uma relação de admiração, respeito e amizade por Alberto, apesar disso não consegue controlar os sentimentos em relação à sua noiva. O jovem apaixona-se perdidamente por Carlota, porém quando se dá conta da impossibilidade de a ter para si esse amor se torna um fardo insuportável.

Quando lemos as primeiras cartas de Werther a Guillerme percebemos que o discurso do protagonista é muito bonito, no qual ele faz odes a Carlota, que é vista como uma mulher perfeita, um anjo, quase uma santa. Embora lá no início do romance seu discurso já esteja carregado de expressividade e emotividade, é, ainda assim, leve. Entretanto, os exageros nas seguintes missivas de Werther intensificam-se à medida que o amor de Carlota se torna mais distante e impossível. O amor cortês que Werther sente por sua amada transforma-se claramente em arrebatador e completamente exagerado.

 

Hoje não pude ir ver a Carlota, uma visita inesperada me segurou em casa. Que havia a fazer? Mandei meu criado ao encontro dela, só para ter junto de mim alguém que tivesse estado em sua presença. Com que impaciência o esperei, com que alegria tornei a vê-lo! Não tivesse vergonha e teria me atirado ao seu pescoço e coberto seu rosto de beijos. A lembrança de que o rosto de Carlota havia pousado em seu rosto, em suas faces, nos botões de sua casaca e na gola de seu sobretudo, tornava-o tão querido, tão sagrado para mim! Naquele momento não daria aquele rapaz nem por mil táleres! Me sentia tão bem em sua presença…

 

Werther percebe que existe apenas uma solução para o seu mal de amor: fugir da inalcançável e perfeita Carlota. Nosso protagonista decide partir de Wahlheim sem sequer se despedir de sua amada, pois acredita que a distância o fará esquecê-la. No entanto, mesmo longe, o pobre rapaz continua a se martirizar… e o sofrimento de seu espírito o transforma cada vez mais em uma figura atormentada, um apaixonado à deriva de seus próprios sentimentos, um ser completamente desprovido de esperança.
Quando Werther compreende que o amor que nutre por Carlota não se modificou apesar da distância, decide retornar a Wahlheim… A partir daí, entramos em contato com um Werther completamente diferente daquele do início do romance, um jovem com tendência natural a falar sobre assuntos mórbidos e a enxergar tudo pelo pior lado. Seu pessimismo é cada vez mais e mais evidente, o que acaba por desencadear o desfecho trágico. A forma como o apaixonado discorre sobre o suicídio, sobre a morte por amor e sobre o seu próprio sofrimento nos mostra claramente o seu ímpeto e arrebatamento indomáveis. O jovem Werther transforma-se cada vez mais em um homem ultra-romântico, passional, subjetivo, pessimista e triste. Ele se apega a valores decadentes e tem propensão à melancolia e a sobrevalorizar o amor que sente por Carlota. “Toda minha alma estava presa em sua feição, sua voz, seu aspecto. Ela é sagrada para mim. Todo meu desejo emudece em sua presença.”
O sentimentalismo exacerbado, o pessimismo e a melancolia extrema levam o pobre Werther, o sofredor não correspondido, a buscar saída e subterfúgios para o seu mal de amor, nesse caso, a morte.

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Ao entramos em contato com a biografia de Goethe nos damos conta de algumas similaridades com a história de Werther. Goethe nasceu no seio de uma família burguesa em 1749, em Frankfurt am Main. Estudou direito, história e filosofia em Leipzig. Além de escritor, exerceu também atividades teatrais e artísticas de todo tipo e foi por vários anos diretor da Biblioteca Anna Amalia, em Weimar… Sabe-se também que Goethe na sua juventude foi apaixonado por uma mulher casada, cujo nome era o mesmo que o escritor escolheu para a protagonista de seu livro. Passou-me a impressão de que Os sofrimentos do jovem Werther foi uma espécie de catarse para o escritor, catarse essa que não agradou a todos, principalmente ao casal Carlota/Alberto – amigos do escritor que se viram retratados na obra. O suicídio de Werther também foi inspirado em uma personagem real, Karl Wilhelm Jerusalem, um rapaz que fazia parte do círculo de amizades do escritor e que cometeu suicídio por não ter seu amor por uma mulher casada correspondido. É sabido que Goethe também teve vontade de tirar a própria vida, no entanto, foi mais forte que Werther, pois o escritor só veio a falecer em 1832, em Weimar, aos 82 anos.
O livro de Goethe foi o responsável por uma onda de emotividade e desespero que em muitos casos terminou em suicídio. Essa onda de desespero por partes dos jovens europeus ficou conhecido na Alemanha como Efeito Werther. Isso fez com que o livro de Goethe fosse proibido na Alemanha por muitos anos, tudo por conta da sua conotação negativa e, segundo alguns entendidos da época, porque fazia apologia ao suicídio.

 

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É preciso abraçar a volúpia, fartar-se de prazeres e não ter medo da morte. — Goethe

Livros que li…

É sempre assim… A mesma casa, a mesma escada, o mesmo homem. Mas só porque esse homem ficou mais velho, conheceu outras terras e outras gentes, leu mais livros, a casa e a escada mudaram. E as pessoas da casa também mudaram. —Erico Veríssimo

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Em relação a leituras, 2018 foi um bocadinho melhor que 2017, mesmo assim não consegui voltar a minha rotina de leitura dos anos anteriores. Aliás, nem sei se um dia voltarei… Apesar de não ter lido uma quantidade exorbitante de livros, posso dizer que fiz leituras interessantíssimas e tocantes. Li com atenção e desfrutando cada página o máximo que pude… Fui deixando pelo meio do caminho vários livros inacabados e, pra ser bem sincera, já não me importo mais com isso, se não gostar abandono mesmo e pronto, porque a vida é curta demais para perdermos tempo com livro chato e que não nos toca de alguma forma.

Os livros que li em 2018:

1- Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa: conta uma história de amor, mas a meu ver, uma história de amor um tanto estranha. É a história de Ricardo e da Menina Má, uma personagem que vai mudar de nome, profissão e nacionalidade várias vezes no decorrer da narrativa. Ele é um romântico; ela, uma aventureira. Com eles passaremos por Londres, Paris, Tóquio e Madri, cidades essas que serão cenários de alegrias, amores e paixões, mas também de mentiras, tristezas e dores..

2- O Estrangeiro, Albert Camus: com pouco mais de oitenta páginas, esse livro é capaz de causar no leitor um turbilhão de sentimentos variados. Em mim, por exemplo, causou um certo desassossego e uma sensação de estranheza, sobretudo ao perceber a apatia de Meursault, o protagonista. A princípio desenvolvi uma grande antipatia por essa personagem, mas, no fim das contas, entendi que Meursault era nada mais nada menos que um estrangeiro para si mesmo… Ele foi condenado não pelo crime que cometeu, mas por não seguir as convenções sociais, por não seguir à risca a manada. E isso é triste, muito triste!

3- Um amor incômodo, Elena Ferrante: é um livro independente, não tem nada a ver com a tão falada série napolitana. Gostei muito da história que tem uma pegada meio de mistério, de romance policial. Neste livro a escritora retrata também a relação mãe/filha de uma maneira bastante crua. Nada aqui é bonitinho, cor de rosa, engraçadinho… A narrativa, como o próprio título já diz, incomoda.

4- Teoria Geral do Esquecimento, José Eduardo Agualusa: conta a história de uma mulher portuguesa que vive em Luanda na época da Independência do país. Em 1975, aterrorizada com os acontecimentos, constrói uma parede separando seu apartamento do resto do edifício. Vive dessa forma, separada do mundo, durante trinta anos, sobrevivendo aos trancos e barrancos, do jeito que pode. Livro ótimo, com um toque de realismo mágico.

5- O conto da ilha desconhecida, José Saramago: um conto lindo de viver. “…se não sais de ti, não chegas a saber quem és. (…) é necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não saímos de nós.”

6- Terra Sonâmbula, Mia Couto: foi o primeiro livro desse escritor que li, lá em meados de 2008… Lembro-me de ter terminado essa leitura emocionada, não apenas pela história propriamente dita, mas pela escrita tão linda e poética… Reli-o agora, em 2018, e com certeza o lerei outras vezes mais.

7- A Cabeça do Santo, Socorro Acioli: achei o início desse livro bastante parecido com o início de “Pedro Páramo,” de Juan Rulfo. Pelo que sei, García Márquez também bebeu da fonte de Rulfo para escrever seu ‘Cem anos de solidão,’ então não é tão descabido assim que Socorro Accioli tenha seguido esse rumo, já que ela foi aluna de Gabo. Passando essa fase inicial, que me incomodou um bocado devido às tantas semelhanças com o livro de Rulfo, Acioli encontrou seu próprio caminho e desenvolveu bem a história assim como suas personagens. O realismo mágico dessa escritora brasileira por si só se sustenta. Gostei!

8- A guerra não tem rosto de mulher, Svetlana Aleksièvitch: traz relatos reais de mulheres soviéticas que estiveram na linha de frente durante a Segunda Guerra Mundial. Este livro é diferente de qualquer outro acerca desse tema que eu já li, porque ele mostra a batalha das mulheres, a guerra contada a partir do ponto de vista feminino.

9- A Amiga Genial, Elena Ferrante: o primeiro dos quatro livros da tão falada série napolitana. Terminou deixando um gostinho de quero mais e me fazendo desenvolver uma antipatia nível avançado por Lila, uma das protagonistas.

10- Maomé – uma biografia do profeta, Karen Armstrong: não estava em meus planos ler um livro relacionado à religião, mas pelo fato desse tema ter sido escolhido para a leitura do mês de abril no Grupo de Leitura do qual participo, não houve escapatória. A leitura, ao contrário do que eu esperava, me agradou muito, porque me levou a aprender bastante acerca de uma cultura que eu desconhecia totalmente…

11- A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata: eu já conhecia a literatura de Kawabata por País da neve e Beleza e tristeza, livros muito bons e que me agradaram bastante. No entanto, A casa das belas adormecidas deixou-me com um gostinho amargo na boca. Desenvolvi uma repulsa pela personagem principal, provavelmente por conta da carga psicológica que a acompanha…

12- Canção de ninar, Leïla Slimani: conta a história de uma babá que assassina as duas crianças que toma conta. Calma, isso não é um spoiler, já no primeiro parágrafo do livro a autora nos conta que as crianças foram mortas. É um livro bom que só!

13- A extraordinária viagem do faquir que ficou preso num armário Ikea, Romain Puértolas: é um livro engraçado, serviu para quebrar a tensão e dar uma descansada na mente depois de tantas leituras pesadas.

14- Vale do Encantamento, Amy Tan: um livro de fôlego, são quase 600 páginas de muitas aventuras na Xangai do início do século XX. Vale do Encantamento conta a saga de três gerações de mulheres e suas lutas para sobreviver em um mundo repleto de preconceitos, desigualdades sociais, machismo e violência.. Pra mim, que vivo em Xangai, foi uma sensação muito boa reconhecer os lugares sobre os quais a autora fala e saber que em algum momento já passei por eles. Gostei de conhecer mais sobre os salões de cortesãs de luxo, muito comuns na Xangai do início do século passado, as relações entre chineses e estrangeiros, o declínio do império chinês e a ascensão da Republica Popular da China. Sem falar na conturbada relação mãe/filha muito bem desenvolvida na história. Gostei, gostei mesmo.

15- A mulher na janela, A. J. Finn: eu demorei um tempão pra concluir essa leitura. Achei Anna Fox uma personagem chata, que enche o saco do leitor com seu monólogo repetitivo. O ambiente de clausura no qual a protagonista vive me incomodou bastante, mas não porque remete a uma atmosfera de medo, típica de livros de suspense, mas pelo fato de ter deixado a narrativa arrastada e enfadonha. Além disso, as semelhanças com a Garota no Trem, de Paula Hawkins, me aborreceram também. A. J. Finn – não sei se intencionalmente ou não – praticamente copiou a personalidade da protagonista do livro de Hawkins: bêbada, irresponsável, meio louca, fora de forma, não confiável e com obsessão pela vida dos vizinhos… Foram semelhanças de mais pra meu gosto, já desde o primeiro capítulo. Enfim, A mulher na janela tinha tudo pra ser um bom livro, o autor tinha dois temas muito atuais para desenvolver, depressão e alcoolismo, mas se perdeu no meio do caminho e não me convenceu.

16- Paula, Isabel Allende: é uma história que toca o leitor de uma maneira tão dolorida que é quase impossível escrever qualquer coisa acerca dela sem deixar cair uma lagrimazinha O livro é melancólico, mas é, ao mesmo tempo, um culto ao amor e, principalmente, à vida.

17- Ratos e Homens, John Steinbeck: apesar de ser um livro bem curtinho, Ratos e Homens não fica a dever NADA a certos calhamaços. Steinbeck tinha como principal objetivo fazer uma crítica ao trabalho precário e mal remunerado que era imposto a alguns trabalhadores braçais durante a depressão dos anos 30 nos Estados Unidos, mas esse tema foi ofuscado por outro mais interessante ainda: o valor da verdadeira amizade.
O autor conseguiu desenvolver essa relação de amizade entre as duas personagens principais de uma forma tão bonita que mesmo aquele final trágico não conseguiu apagar a beleza da narrativa. O texto é triste algumas vezes, mas está, ao mesmo tempo, repleto de amor, companheirismo e esperança.

18- Frankenstein, Mary Shelley: essa leitura deixou-me melancólica. Não lembro nunca ter sentido tanta vontade de ninar uma personagem como tive dessa vez… O ‘monstro’, criação do Doutor Frankenstein -, que causa tanta repulsa e medo mundo afora, nada mais é que um ser carente de amor e afeto. A criatura foi rejeitada e abandonada pelo seu próprio criador apenas por causa de sua aparência física, nem mesmo teve a chance de demonstrar o tanto de amor que carregava no coração. Frankenstein completou 200 anos em 2018, mas continua atual até hoje.

19- Os Maias, Eça de Queirós: foi o livro mais amado e querido dentre todos os que li em 2018. Relerei muitas vezes mais, com certeza! Virou meu mais novo livro do coração. ❤

20- A mulher do viajante no tempo, Audrey Niffengger: pior leitura de 2018, só não abandonei porque era a leitura do mês de dezembro de um grupo de leitura do qual participo. Tentei assistir ao filme pra ver se melhorava, mas desgostei igual. Achei confuso e chato. 😦

21- História do novo sobrenome, Elena Ferrante: segundo volume da série napolitana. Gostei mais deste livro que da Amiga Genial, embora minha antipatia por Lila neste volume só tenha aumentado. Não consigo aturar essa menina que, apesar de muito inteligente, é chata, invejosa e voluntariosa pra caraca. Sobre Lenu, a outra personagem principal e também a narradora da história, muitas vezes tive vontade de sentar a mão na cara para que acordasse e aprendesse a agarrar o bode pelos chifres. 🙂

22- Persépolis, Marjane Satrapi: porque eu sempre tive muita curiosidade em saber mais sobre a cultura persa e também porque achei que iria morar no Irã. A ida para o Irã não deu certo, infelizmente, mas a literatura iraniana de Marjane me agradou bastante. Ah, o filme também é excelente.

23- Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur: um livro de poesia bem gostosinho de ler, com teor feminista e alguns poemas com uma pegada um tanto quanto erótica.

24- História de quem foge e quem fica, Elena Ferrante: terceiro volume da série napolitana concluído, já me aproximando da reta final da trajetória de Lila e Lenu. Curiosa para conhecer o desfecho, mas deixei o quarto volume pra 2019.

Feliz 2019 a todos… Que seja um ano de muitas leitura boas!

Aquela voz inconfundível…

vo jaimeUma das muitas lembranças que guardo carinhosamente da minha infância é a do meu tio-avô. Lembro-me de sua voz marcante e de seu acentuado sotaque maranhense. O velho Jaime, irmão de minha avó materna, vivia em um povoado chamado São Benedito, embrenhado nos confins do Maranhão. Apesar de nunca ter colocado os pés em dito lugar, quando falo dele parece-me tão familiar que é como se eu o conhecesse, deveras!
Lembro-me que ele ia de sua casa até à casa de minha avó a cavalo. Naquela época, o inverno no Maranhão era uma estação marcada pelas chuvas constantes e pelos rios que se formavam mata adentro… Os caminhos ficavam muito difíceis, por causa disso Vô Jaime tinha que madrugar, atravessar igarapés, viajar praticamente o dia inteiro para chegar a Santa Helena, vilarejo onde vivia minha avó. Mas, quando chegava, quase sempre à noite, ninguém mais dormia, porque ele tinha causos pra contar… Era história pra mais de légua!!
Fosse a hora que fosse, minha avó levantava, acendia o fogão a lenha e preparava um bom rango… E eu sabia que durante os dias em que ele ficasse por lá não haveriam broncas nem castigos. Ahhh, era tão bom ser criança!
Outra coisa que muito me lembra meu tio-avô é murici, uma frutinha miúda, amarela, muito comum no Maranhão, usada para fazer suco, que minha avó chamava, vinho. Vô Jaime chegava com uma carga de murici para felicidade geral da garotada. Até hoje consigo me lembrar com grande exatidão dessa fruta, apesar de nunca mais tê-la provado ainda levo comigo seu sabor e aroma.
Eu não consigo lembrar muito bem quando vi Vô Jaime pela última vez, acho que eu tinha uns 16 anos aproximadamente, em uma das muitas viagens de férias que fiz pra casa de minha avó. A imagem que me vem à memória agora é a dele sentado à mesa, comendo qualquer coisa e tomando café com farinha d’água. Jaime falava, falava e falava… com aquela voz inconfundível, aquela voz que quando ouvia, nas madrugadas de minha infância, levantava correndo. Aquela voz que nunca esqueci e que seria capaz de reconhecer em qualquer lugar, de olhos fechados.
A noite passada sonhei com Jaime, me deu uma saudade imensa de tudo que vivi nos tempos de outrora. Ainda bem que as coisas boas a memória registra e não nos permite esquecê-las. Acordei melancólica e levantei saudosa, me veio à cabeça aquele lindo poema de Casimiro de Abreu, Meus oito anos, que tem tudo a ver com o que estou sentindo hoje: Nostalgia. Nostalgia dos bons tempos, tempos esses que passaram e que, infelizmente, não voltam mais.

 

 

Fruta-Murici
Murici

 

Um trechinho do poema de Casimiro de Abreu:

 

Oh! Que saudade que tenho,
Da aurora de minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonho, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava as Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonho, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

 

Meus oito anos recitado por Paulo Autran:

A cafeteria da esquina…

Encontre-se com o sabor das conversas, com o paladar das histórias, com o aroma das memórias e aqueça a sua alma, e partilhe. Há momentos que têm de ser vividos em grupos. — (Na parede de uma cafeteria, no Cais do Sodré, Lisboa)

 

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Um entra e sai de pessoas na cafeteria da esquina. Entre sorrisos e burburinhos, mães arrastam crianças recém-saídas da escola ao mesmo tempo que empurram carrinhos de bebês. Escondem-se na cafeteria quentinha e lotada.
O homem da mesa ao lado, compenetrado, rabisca qualquer coisa em um guardanapo. Será poesia? Ou terá tido ele ideia para um grande romance? Olho-o com bons olhos… Serei sempre uma eterna admiradora daqueles que escrevem, daqueles que simplesmente escrevem.
Observo atentamente o vai e vem das pessoas. Anônimas? Nem tanto! São as mesmas caras, as mesmas de todo dia, do café da tarde, na cafeteria da esquina.
Saboreio mais um café au lait enquanto tomo coragem para enfrentar o frio lá fora… Mas que bobagem a minha, um grau negativo nem é tão frio assim.
Já na rua, sorrio para a senhorinha de sobretudo vermelho e canelas à mostra (em um clima desses, canelas à mostra é uma prova de coragem). A senhorinha sorri de volta. Tem algo de mágico no sorriso de um desconhecido, parece que aquece o coração da gente. ❤

Impressões de Leitura#20: Os Maias…

Um clássico é um livro que nunca acaba de dizer o que tem pra dizer.

— Italo Calvino

 

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Há livros que não consigo ler de uma sentada só, não porque são ruins ou enfadonhos, mas porque me fascinam e cativam de tal maneira que chega a fazer-me pena conhecer o fim. Os Maias é um livro assim, por essa razão não me é possível escrever sobre ele sem me emocionar.
Por causa dos Maias, habitei vários meses o Ramalhete, lá na Rua de S. Francisco de Paula, no Bairro das Janelas Verdes, naquela Lisboa do final do século XIX.
Desfrutei, incansavelmente, da privilegiada vista do Tejo e do Porto de Santos. Vi, vezes sem conta, Dom Afonso da Maia sentar-se frente à lareira para tomar seu cálice de vinho do Porto ao mesmo tempo que aconselha o apaixonado Pedro da Maia, seu filho, a afastar-se da belíssima Maria Monforte. Usufruí dos bons ares de Santa Olávia, ao pé do rio Douro, e observei, quase sempre com um sorriso no rosto, a infância feliz do pequeno Carlos Eduardo da Maia. Foi então que compreendi o orgulho que Afonso da Maia sentia ao ver seu neto crescer saudável e forte como um touro. Anos depois, não tive vergonha de seguir Carlos Eduardo durante suas longas caminhadas pelas ruas do Chiado, à noite, no auge de sua juventude. Quando apareceu Maria Eduarda, senti também um grande encantamento por sua beleza e elegância. Fui testemunha daquele amor impossível. Com eles ri e chorei… Cheguei, inclusive, a insultar a crueldade do destino.
E sobre João da Ega, o que posso dizer? Que é um rapaz interessante, espirituoso e brincalhão! Dei altas risadas com essa personagem que nada mais é que um alter ego do próprio escritor.

Hoje, um dia frio de novembro de 2018, saio do Ramalhete com o coração tranquilo e transbordando de emoção… Emoção por ter finalmente conhecido os Maias, por ter sido espectadora de suas dores e tragédias, mas, sobretudo, de suas alegrias e conquistas.
Meu exemplar já tem um lugar especial reservado na estante. Então, quando a saudade bater com força revisitarei o Ramalhete. Uma e outra vez. E quantas vezes mais sejam necessárias.

O livro conta a história da família Maia ao longo de três gerações, sendo que a mais importante e mais explorada no romance é a última, que trata do amor incestuoso de Carlos Eduardo da Maia e Maria Eduarda. Eça de Queirós utiliza essa obra para criticar com bastante ironia a sociedade lisboeta da última metade do século XIX. Esse livro introduziu o realismo em Portugal, rompendo de vez com o romantismo. Foi publicado em 1888, quando Eça de Queirós tinha 43 anos.

 

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Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845, na Póvoa do Varzim, e morreu a 16 de agosto de 1900, em Neuilly, nos arredores de Paris.

 

Os Maias foi adaptado para a televisão brasileira em 2001:

 

Em Portugal, foi adaptado para o cinema em 2014,  por João Botelho:

 

 

As músicas lindas que foram temas da adaptação brasileira: