Impressões de leitura#11: Fama

“Uma novela em nove histórias”

 

famaEu adoro descobrir novos nomes da literatura. Gosto de pegar dicas com amigos, ler indicações e resenhas em revistas literárias e, sempre que possível, leio livros de escritores completamente desconhecidos.
A verdade é que não costumo limitar minhas leituras a um gênero ou autor específico, claro que tenho meus escritores preferidos, mas sou também muito curiosa e aberta a novas leituras. Por conta dessa minha curiosidade, já conheci escritores sensacionais.
O escolhido da vez é Daniel Kehlmann, um escritor alemão muito talentoso que me conquistou desde o primeiro momento que entrei em contato com seus escritos. Talvez para muita gente Kehlmann não seja mais novidade nenhuma, mas pra mim, que nunca tinha escutado falar nada sobre ele, foi um achado surpreendente.
Conheci esse escritor fuçando informações em uma rede social sobre literatura, acabei chegando em seu livro Fama (Ruhm, no original) e fiquei encantada com seu estilo de escrever.

Fama é composto de nove relatos. No primeiro, o leitor entra em contato com uma personagem que decide por primeira vez adquirir um telefone celular; assim que começa a utilizá-lo começa também a receber ligações que seriam para outra pessoa: uma celebridade, um astro de cinema muito solicitado por mulheres e com uma vida bastante interessante. Essa primeira personagem passa, então, a adotar a identidade dessa celebridade.
Mais adiante o leitor conhece outra personagem, um ator muito famoso que de uma hora para outra deixa de receber ligações, deixa de ser solicitado para trabalhos e também por mulheres. Por causa disso, ele começa a duvidar do seu talento e da importância de sua carreira.

À medida que avançamos vão sendo-nos apresentadas outras personagens: um escritor brasileiro que escreve livros de auto-ajuda, vive em um enorme e luxuoso apartamento no Rio de Janeiro, sofre de depressão e encontra no suicídio a solução para seus problemas; uma mulher de quase 70 anos que ao descobrir que tem câncer decide viajar para a Suíça e se internar em uma clínica que pratica a eutanásia; uma escritora de novelas policiais que se perde na Ásia, fica com o celular descarregado sem poder entrar em contato com ninguém para pedir ajuda; um blogueiro que sonha em ser protagonista de uma novela e, por último,  um diretor de uma grande companhia telefônica que leva uma vida dupla e se entrega a autodestruição.
Com muita ironia, Kehlmann toma a história de cada uma dessas personagens e vai montando sua trama. Ele constrói uma espécie de novela em que os nove episódios se entrelaçam, mas sem criar um protagonista.

 

“Uma novela sem personagem principal! Compreendes? A composição, as conexões, o arco narrativo, mas sem nenhum protagonista, nenhum herói que recorra todo o livro”.

 

Na verdade, todas as personagens – de uma forma ou de outra -, acabam tendo algum tipo de relação entre si. Histórias que se entrelaçam, personagens que se misturam, se relacionam, que desaparecem de um relato para reaparecer em outro, mais adiante. Kehlmann monta um enredo que tem como pano de fundo a sociedade atual, a tecnologia, o mundo virtual e a globalização. Ele fala de situações e objetos da vida moderna, como por exemplo, aparelhos celulares, computadores, baterias descarregadas, telefonemas equivocados, linhas cruzadas, encontros inusitados etc. Retrata situações em que celulares e computadores, objetos tão comuns e práticos nos dias atuais, que servem (ou pelo menos deveriam servir) para facilitar a vida, podem ser capazes de gerar problemas e mal-entendidos gravíssimos.
Fama trabalha temas como suicídio, desaparecimento, traição, eutanásia, verdades, enganos e a perda da identidade.

O livro tem uma narrativa muito agradável e flui maravilhosamente bem, é uma excelente mistura de ficção e realidade. Um livro com poucas páginas mas com a incrível capacidade de prender o leitor do princípio ao fim. Eu gostei tanto que fui atrás de saber mais sobre o autor. As informações que encontrei por aí dizem que Fama, entre os livros de Kehlmann, é um dos mais fracos. Então fiquei aqui pensando, se este que não é considerado assim tão bom me agradou, já posso imaginar a delícia que será ler aquele que a crítica especializada considera o melhor. Até já coloquei aqui na minha lista outros títulos desse escritor.

 

Sobre o autor:
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Daniel Kehlmann nasceu em Munich, em 1975. Reside atualmente em Viena e Berlim. Sua obra recebeu vários prestigiosos prêmios, como o Prêmio de Literatura da Fundação Konrad Adenauer, o Prêmio Kleist e o Prêmio Thomas Mann. Sua novela “A medida do mundo”, traduzida para mais de quarenta línguas, é um dos maiores êxitos da recente literatura alemã. Entre outros títulos cabe destacar também “Eu e Kaminski.”
Vale a pena ler. Kehlmann é ótimo!

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